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sexta-feira, 2 de setembro de 2011

... Mãe Lena ...



 
Por tudo o que sou.
Por tudo o que podia ser.
Por tudo o que fui.
Por tudo o que jamais serei…
Por tudo o que vou ser, quando um dia crescer.
Devo-te a "clareza", e a vivência.
O ser, o estar…devo-te o ar, o respirar.
Sorrisos, lágrimas…
Pão para a boca, a água que mata a sede.
Devo-te TUDO.
Peço-te perdão por tudo…
Peço aquilo que uma mãe dá de olhos fechados…o Perdão.
Por todas as lágrimas, e tristezas.
Hoje penso nas escolhas que fizeste, olho para trás e vejo e sinto-me um pouco Tu…
Para quê sermos usadas e pisadas? Antes sós, antes mães … e não estamos sós.
Olho e hoje que sou mãe tudo é diferente.
Mesmo me sentido muitas das vezes Tu, não o sou.
A começar pelo feitio…
Anos a fio, sofres-te, “calas-te” e aceitas-te tudo o que te era imposto.
O que te deu aquele “homem”?
Sim 3 filhos que tal como dizes te enchem de orgulho e …
nada mais, além de um olhar triste.
Olho-me ao espelho e já tenho dado por mim a pensar se algum dia os meus olhos voltam a brilhar. Lembras? Pareciam duas azeitonas, brilhavam tanto, quando as covinhas do meu sorriso se manifestavam.
Aqui está a diferença Tu escondeste-te, viveste para nós teus filhos…
Eu querendo, não sei se serei capaz de me esconder.
Sei que um dia de mãos dadas no terraço falávamos e chorávamos as duas.
Porque até ser mãe a convicção (a idade e a falta de “tino”), era uma.
“No dia que morreres eu mato-me, porque a vida sem ti não faz sentido”.
E de mãos dadas chorámos, e chamavas-me á razão, do que era a vida…
Era tal e qual assim, viver para quê, para quem?
Eu, para mim…talvez fosse essa a resposta a dar…não era.
Porque de facto a vida sem ti não faria (não fará), sentido, e parte de mim irá com toda a certeza morrer…não tenho a mínima dúvida.
Hoje tenho mais do que um motivo para pensar de outra forma.
Eu…Ele.
Começámos as duas, seguimos as duas os três, depois a dois, depois um.
Tinha de ser igual não tinha?
Quantas vezes já nós comentamos isto…uns dias dizes sim, outros dizes não
“não tens de ficar sozinha como eu fiquei”.
Não importa se assim for…se for assim será.
Sendo diferente não deixarei de ser como Tu.
Uma grande mãe uma grande mulher.
Olho-te e vejo-te menina de bordados, na casa dos padrinhos,
uns pais que valiam ouro…e olho para Ti e penso…
“Como é possível ser assim?”
São os espinhos da rosa que é a vida.
Não lhe perdoo nem no leito de morte, por tudo o que te fez sofrer.
Confesso o que sabes de cor…o sentir ódio, revolta torna-se insuportável e tornam-me insuportável enquanto ser que quer tomar as rédeas da vida. Não o amo e não o perdoo.
Ter sido mãe amenizou em muito este sentir, mas há dias em que dói e tu sabes o quanto.
Concentrei-me, foquei-me no ser que trouxe á vida.
A mudança que se dá por vezes nem nós temos noção.
Mudava a forma como me deixaste voar…
devias ter feito com que tivesse voado mais cedo,
mais fácil seria ter crescido e ganho outras defesas.
Culpar-te? Posso pensar, posso dizer,
mas jamais te posso culpar como o fiz tantas e tantas vezes…hoje não.
Hoje basta olhar todos os teus alicerces e pilares…
Basta olhar para trás…
Hoje só posso fazer o impossível para dar e procurar defesas para o meu filho.
E eu?
Lá está crescer custa, se custa…
Cada vez mais e a cada dia que passa me sinto como um puzzle que se constrói.
Nunca acabei um puzzle mas também não vai ser agora que vou parar,
venham as peças que eu me “dedico” a construir o dito.
Peço-te perdão por tudo, pelas lágrimas, pela dor que te causei, pelas dores…
Por todo o mal que te fiz, por todas as noites sem dormir…
Agradeço todas as tuas preces e orações.
Agradeço-te o ar, o pão…
Agradeço-te a paciência, a força para aguentares
um barco que durante tantos anos andou á deriva,
e hoje sou eu que tenho de pegar no leme e levá-lo a bom porto….
A levá-lo a um porto, seja ele onde for.
Não faço ideia, para onde vou mas sei que vou lá chegar…
Porque de facto o meu feitio é diferente do teu,
e toda a frieza que nunca tiveste eu tenho de sobra.
E os dias de hoje são tão diferentes de há 38 anos atrás…
Quando ficaste sozinha com três filhos para criar…precisamente com 38 anos.
Mas eu a rebelde Maria rapaz sou diferente…
ainda que a história possa parecer igual não é,
e o orgulho que tens hoje em nós em mim,
será honrado, pelo teu nome, pelo teu sentir, pelo ser que és…
És o meu Amor maior, e sei que jamais serei amada de outra forma tão suprema,
como é o amor de uma mãe, como é o teu amor por mim.
Tão simples não é?
Parece.
Amo-te mãe…a minha, a única Lena.

Maria

Beijo n´oteudoceolhar

 
   (Não consigo associar outra música sem ser esta, desde que comprei o CD dos Il Divo, que esta música se manifesta em mim, com estas palavras ... Está bem e recomenda-se a minha Lena. Nada tem a ver o vídeo, apenas a letra, em muitas coisas tem a ver com o que escrevi...
Duas fãs do 4 magníficos, como tal e a música que faz sentido estar aqui...
A senhora minha mãe, é quase sempre a minha primeira crítica, no que escrevo e publico, nas fotografias, que faço e coloco nos sites, quase sempre ...tem sempre uma palavra uma crítica. Contudo este será dos poucos textos que não lhe irei dar para ler ... este será lido por aqueles que aqui passam e pelos meus irmãos, este será um texto que ficará comigo, até ao meu ultimo por do sol...
irá comigo, e com ela).




13 Comentários:

Blogger MarianaFigueira. disse...

E é, também eu acredito que o sol nasce todos os dias (: *

3 de setembro de 2011 às 12:27  
Blogger Flor de Jasmim disse...

Maria querida
Acho que tinha tanta coisa para te dizer, mas digo-te que mais uma vez estou de lágrimas a correrem.
Linda esta homenagem à tua mãe, vejo que é realmente um amor incondicionavel.
Nesta palavras vejo minha filha que durante 14 anos o marido só lhe deu sofrimento, de bom deu-lhe os filhos.
E eu vejo-me em muitas das tuas frases mas falando assim do meu pai que partiu muito cedo, o desgosto ajudou que ele partisse mais cedo.
Tinha a minha mãe os 38 anos quando me abandonou apenas com 8 aninhos o meu irmão com 11 e meu pai com 39.
Hoje tenho uma relação boa com a minha mãe ela tem 85 anos, se lhe perdoei, penso que não, mas sinto amor por ela, ainda hoje estou á espera de um pedido de desculpas, amor de mãe tenho sim pela minha sogra mãe do meu falecido marido, como casei com 16 aninhos recebi dela o amor que não tive de minha mãe.
Beijinho n,oteudoceolhar

3 de setembro de 2011 às 15:36  
Blogger oteudoceolhar disse...

Mariana,

o sol de facto nasce todos os dias ... um dia mais esplenderoso do que outros....daí estes toques de "nostalgia".

Obg bom fds Beijo n´oteudoceolhar.

3 de setembro de 2011 às 16:03  
Blogger oteudoceolhar disse...

Minha Flor,

não tens uma pequena noção do que chorei ao escrever e ao ouvir a música.
Por vezes estes "exorcismos" são necessários. Eu entendo este texto como uma espécie de "exorcismo" á minha pessoa, ao meu Eu interior ... é um facto que a minha mãe (não falamos do filho), é a pessoa mais importante da minha vida, e sem ela não sou nada de nada...mas como ela também eu sou mãe, por isso do nada que me sinto no amanhã só tenho de ser alguém. Porque diz o ditado "filho és...um dia pai serás" (algo assim).

Quanto ao Pai, gosto imenso do carinho com que falas do teu (nada de chorar, com o que estou a escrever) ... também não sei o que significa essa palavra, existe, vive mas hj n me incomoda tanto como já incomodou e lamento a frieza, mas não lhe perdoo nada de nada ...

Não tenho, nunca tive nem faço ideia do que é ter uma sogra, mas se tiveste e tens uma sogra que te "amparou" que te deu o amor que faltou ... abençoada seja, sejam...neste mundo poucos de nós temos a sorte de ter uma mão estendida, se ela surgir nada como agarrar a "oportunidade".

Eu sei que tens muito que me gostavas de dizer...eu sei porque o sinto nas tuas palavras e nos teus comentários ... a porta está aberta se não tens o mail diz que to dou.

Aprendemos tanto nesta vida, e muita das vezes com a vida dos demais ... ter a consciência e vontade de aprender é ser "grande", eu ainda sou "pequenina", mas estou a crescer por isso ... Vivendo e aprendendo com tudo aquilo que nos é dado...pelos espinhos da rosa que é a vida, como pela bela flor que é a rosa em si.

Obrigada minha amiga beijo n´oteudoceolhar.

3 de setembro de 2011 às 16:13  
Blogger PauloSilva disse...

Não seria tão bom para a sua mãe ler um texto tão carinhoso, tão profundo, tão escrito pela maravilhosa filha que tem? Maria que abençoada seja essa mulher que a fez crescer tão forte e tão sentimental! Tão crescida, deveria dizer ela. Tão humana, podemos dizer nós.
Não há que pedir perdão. Mãe sabe sempre filtrar as nossas emoções e sabe que se a magoamos não é com essa intenção!
Maria, um grande beijo por ser a mulher que é e outro para a mãe espectacular que a criou de maneira tão peculiar!

(E agradeço o comentário)

3 de setembro de 2011 às 18:44  
Blogger Flor de Jasmim disse...

Maria querida
Eu vejo sempre os teus recadinhos que adoro ler, pois eles têm me dado imensa força.
Um dia ainda vamos estar juntas, acredita, até lá manda o teu mail para o meu que está no meu perfil.
Beijinho n,oteudoceolhar

3 de setembro de 2011 às 22:18  
Blogger oteudoceolhar disse...

Pensador,

com essa me deixas sem palavras, quem te manda a ti tratá-las por Tu?

Ainda estou em dúvida. O texto tem um significado e um intuito...logo se vê, se a Lena o ler e aviso a todos aqueles que a conhecem como a minha Lena. A minha mãe.

Pensador, sabes lá tu a "peste" que é Maria, e crescida, ai rapaz, isto é pé ante pé, sou "pequenina", eu bem disse que nunca iria crescer, agora é de rajada ... mas deixa eu chego lá e qq coisa vou ver o mar, carregar as baterias e fujo pó Lentejo.

Curioso ... " Maria, um grande beijo por ser a mulher que é e outro para a mãe espectacular que a criou de maneira tão peculiar!"

Foi de facto peculiar, e somos de facto duas mulheres, ainda que me soe de forma "peculiar" que mo digam ...

Hà que pedir perdão sim ... acredita que eu sei.

Pensador, obrigada.

Beijo n´oteudoceolhar.

4 de setembro de 2011 às 00:37  
Blogger oteudoceolhar disse...

Minha flor,

sabes há quanto tempo existe oteudoceolhar?
Deves saber, sabes do que é que eu vivi durante este tempo?
De palavras de apoio de pessoas que nunca vi e nunca irei ver...fiquei amiga de algumas, pessoalmente só uma partilhei visitas e passeios, de resto ficaram todos guardados, em pastas de folhas com comentários e nomes dessas pessoas.
Uma letra leva a uma palavra uma palavra leva a uma frase, e tudo isso leva a uma imensidão de gestos que animam e nos fazem ir vivendo de outra forma, ou pelo menos a tentar o dia a dia.

Porque não? Eu já vou buscar o mail, em breve terás noticias minhas, e quem sabe um dia não nos vamos ver cara a cara, as mulheres não me metem medo.

Venham os lapis da censuras que eu não estou nem aí. Escrevo como quero o que quero e dou todo o meu carinho e atenção àqueles que aqui vêem e tal como eu precisam de ânimo, incentivo e uma palavra. Ou apenas me dão tudo isso a mim. Que não nego preciso como do ar que respiro.

Quem não entende as palavras como nós...não sabe o que isso significa...sabes que mais digam o que disserem, para mim são favas contadas.

Minha amiga beijo n´oteudoceolhar

4 de setembro de 2011 às 00:53  
Blogger Flor de Jasmim disse...

Maria querida
Eu sei minha amiga.
Tal como eu também tu sabes que não vivo para agradar a ninguém, eu sou apenas eu, sou como sou e, as pessoas gostam ou não gostam estou-me nas tintas, agora uma coisa eu jamais farei, viver como elas querem, não, não faço fretes, nem vivo uma vida de mentira. Prefiro estar só do que acompanhada e sentir-me só, quando eu sentir isso terei que alterar a minha vida.
Beijinho no,teudoceolhar

4 de setembro de 2011 às 15:43  
Anonymous krisspy disse...

Sabes bem quem és, embora às vezes não te conheças a ti própria, o que não és e não foste. Mas sabes que "crescer" é respirar, é viver, é sofrer e amar... que o caminho demonstra, mais tarde ou mais cedo, qual o nosso destino. E desse caminho faz parte a nossa Mãe!
Podemos até nem ser o outro. Mas somos aquilo que conseguimos ser e os filhos podem sempre nos enriquecer e ajudar na sabedoria da vida...
A "rosa" pode até ser cravada de "espinhos", mas nós temos sempre a escolha entre a "rosa" e o "girassol"! Hoje é no teu filho que podes encontrar o teu "barco" no meio do "oceano" que é a vida, tal como a tua mãe também ele precisa de ti, do teu amor, da tua paixão. Mãe só temos uma na vida e será sempre até morrer, aconteça o que acontecer pelo caminho, venha quem vier, até que se apague como uma vela de uma casa que também se apaga, como um dia tu e eu também nos apagaremos... há sempre um nascer do sol no dia seguinte, águas que se movem e nos refrescam e quem sabe se no meio delas uma onda que nos mostre a solução, que faça brotar dentro de ti quem realmente tu és!
Como ouvi um dia numa música que adoro "estrelas são as lágrimas dos anjos a chorar, por não terem o corpo e a vida e não saberem o que é Amar"! E tu sabes Amar... meu Sol!

Beijos!

4 de setembro de 2011 às 16:49  
Blogger oteudoceolhar disse...

Luís,

eu para Ti e para a Lena irei responder por palavras, talvez sejam de facto elas a minha defesa...e voçês são a minha sombra.

Fica para depois, agora Tu sabes Tu sabes tudo, como sabes desde hà 22 anos (só).
És o meu melhor amigo, és irmão, "pai", és companheiro de todos os momentos mais importantes da minha vida.
Tu e a Lena fica para o depois.
Que dizer ... que tenham mais um pouco de paciência...só mais um pouco.

Tu que tantas, tantas vezes és também Tu o Sol que entra pela minha casa adentro ... estamos velhos e juntos essa é que é essa...
Venham mais 22 e mais 22 ...

Beijo Krisspy darling ... we are fabulous...Yes?

4 de setembro de 2011 às 23:29  
Blogger Check Point Charlie disse...

Olá Mary

Já tantas e tão belas palavras foram ditas aqui atrás, que vou apenas dizer OBRIGADO ! Pelo amor incondicional que sentes, por seres como e quem és.

Beijo n'oteudoceolhar

Charlie

6 de setembro de 2011 às 12:18  
Blogger Lacorrilha disse...

E eu que já estava a imaginar-te a leres isto à tua mãe e os olhos dela a encherem-se de orgulho, e afinal não lho leste.
Aposto que ela iria adorar. Tanto.

7 de setembro de 2011 às 17:04  

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sexta-feira, 2 de setembro de 2011

... Mãe Lena ...



 
Por tudo o que sou.
Por tudo o que podia ser.
Por tudo o que fui.
Por tudo o que jamais serei…
Por tudo o que vou ser, quando um dia crescer.
Devo-te a "clareza", e a vivência.
O ser, o estar…devo-te o ar, o respirar.
Sorrisos, lágrimas…
Pão para a boca, a água que mata a sede.
Devo-te TUDO.
Peço-te perdão por tudo…
Peço aquilo que uma mãe dá de olhos fechados…o Perdão.
Por todas as lágrimas, e tristezas.
Hoje penso nas escolhas que fizeste, olho para trás e vejo e sinto-me um pouco Tu…
Para quê sermos usadas e pisadas? Antes sós, antes mães … e não estamos sós.
Olho e hoje que sou mãe tudo é diferente.
Mesmo me sentido muitas das vezes Tu, não o sou.
A começar pelo feitio…
Anos a fio, sofres-te, “calas-te” e aceitas-te tudo o que te era imposto.
O que te deu aquele “homem”?
Sim 3 filhos que tal como dizes te enchem de orgulho e …
nada mais, além de um olhar triste.
Olho-me ao espelho e já tenho dado por mim a pensar se algum dia os meus olhos voltam a brilhar. Lembras? Pareciam duas azeitonas, brilhavam tanto, quando as covinhas do meu sorriso se manifestavam.
Aqui está a diferença Tu escondeste-te, viveste para nós teus filhos…
Eu querendo, não sei se serei capaz de me esconder.
Sei que um dia de mãos dadas no terraço falávamos e chorávamos as duas.
Porque até ser mãe a convicção (a idade e a falta de “tino”), era uma.
“No dia que morreres eu mato-me, porque a vida sem ti não faz sentido”.
E de mãos dadas chorámos, e chamavas-me á razão, do que era a vida…
Era tal e qual assim, viver para quê, para quem?
Eu, para mim…talvez fosse essa a resposta a dar…não era.
Porque de facto a vida sem ti não faria (não fará), sentido, e parte de mim irá com toda a certeza morrer…não tenho a mínima dúvida.
Hoje tenho mais do que um motivo para pensar de outra forma.
Eu…Ele.
Começámos as duas, seguimos as duas os três, depois a dois, depois um.
Tinha de ser igual não tinha?
Quantas vezes já nós comentamos isto…uns dias dizes sim, outros dizes não
“não tens de ficar sozinha como eu fiquei”.
Não importa se assim for…se for assim será.
Sendo diferente não deixarei de ser como Tu.
Uma grande mãe uma grande mulher.
Olho-te e vejo-te menina de bordados, na casa dos padrinhos,
uns pais que valiam ouro…e olho para Ti e penso…
“Como é possível ser assim?”
São os espinhos da rosa que é a vida.
Não lhe perdoo nem no leito de morte, por tudo o que te fez sofrer.
Confesso o que sabes de cor…o sentir ódio, revolta torna-se insuportável e tornam-me insuportável enquanto ser que quer tomar as rédeas da vida. Não o amo e não o perdoo.
Ter sido mãe amenizou em muito este sentir, mas há dias em que dói e tu sabes o quanto.
Concentrei-me, foquei-me no ser que trouxe á vida.
A mudança que se dá por vezes nem nós temos noção.
Mudava a forma como me deixaste voar…
devias ter feito com que tivesse voado mais cedo,
mais fácil seria ter crescido e ganho outras defesas.
Culpar-te? Posso pensar, posso dizer,
mas jamais te posso culpar como o fiz tantas e tantas vezes…hoje não.
Hoje basta olhar todos os teus alicerces e pilares…
Basta olhar para trás…
Hoje só posso fazer o impossível para dar e procurar defesas para o meu filho.
E eu?
Lá está crescer custa, se custa…
Cada vez mais e a cada dia que passa me sinto como um puzzle que se constrói.
Nunca acabei um puzzle mas também não vai ser agora que vou parar,
venham as peças que eu me “dedico” a construir o dito.
Peço-te perdão por tudo, pelas lágrimas, pela dor que te causei, pelas dores…
Por todo o mal que te fiz, por todas as noites sem dormir…
Agradeço todas as tuas preces e orações.
Agradeço-te o ar, o pão…
Agradeço-te a paciência, a força para aguentares
um barco que durante tantos anos andou á deriva,
e hoje sou eu que tenho de pegar no leme e levá-lo a bom porto….
A levá-lo a um porto, seja ele onde for.
Não faço ideia, para onde vou mas sei que vou lá chegar…
Porque de facto o meu feitio é diferente do teu,
e toda a frieza que nunca tiveste eu tenho de sobra.
E os dias de hoje são tão diferentes de há 38 anos atrás…
Quando ficaste sozinha com três filhos para criar…precisamente com 38 anos.
Mas eu a rebelde Maria rapaz sou diferente…
ainda que a história possa parecer igual não é,
e o orgulho que tens hoje em nós em mim,
será honrado, pelo teu nome, pelo teu sentir, pelo ser que és…
És o meu Amor maior, e sei que jamais serei amada de outra forma tão suprema,
como é o amor de uma mãe, como é o teu amor por mim.
Tão simples não é?
Parece.
Amo-te mãe…a minha, a única Lena.

Maria

Beijo n´oteudoceolhar

 
   (Não consigo associar outra música sem ser esta, desde que comprei o CD dos Il Divo, que esta música se manifesta em mim, com estas palavras ... Está bem e recomenda-se a minha Lena. Nada tem a ver o vídeo, apenas a letra, em muitas coisas tem a ver com o que escrevi...
Duas fãs do 4 magníficos, como tal e a música que faz sentido estar aqui...
A senhora minha mãe, é quase sempre a minha primeira crítica, no que escrevo e publico, nas fotografias, que faço e coloco nos sites, quase sempre ...tem sempre uma palavra uma crítica. Contudo este será dos poucos textos que não lhe irei dar para ler ... este será lido por aqueles que aqui passam e pelos meus irmãos, este será um texto que ficará comigo, até ao meu ultimo por do sol...
irá comigo, e com ela).




13 Comentários:

Blogger MarianaFigueira. disse...

E é, também eu acredito que o sol nasce todos os dias (: *

3 de setembro de 2011 às 12:27  
Blogger Flor de Jasmim disse...

Maria querida
Acho que tinha tanta coisa para te dizer, mas digo-te que mais uma vez estou de lágrimas a correrem.
Linda esta homenagem à tua mãe, vejo que é realmente um amor incondicionavel.
Nesta palavras vejo minha filha que durante 14 anos o marido só lhe deu sofrimento, de bom deu-lhe os filhos.
E eu vejo-me em muitas das tuas frases mas falando assim do meu pai que partiu muito cedo, o desgosto ajudou que ele partisse mais cedo.
Tinha a minha mãe os 38 anos quando me abandonou apenas com 8 aninhos o meu irmão com 11 e meu pai com 39.
Hoje tenho uma relação boa com a minha mãe ela tem 85 anos, se lhe perdoei, penso que não, mas sinto amor por ela, ainda hoje estou á espera de um pedido de desculpas, amor de mãe tenho sim pela minha sogra mãe do meu falecido marido, como casei com 16 aninhos recebi dela o amor que não tive de minha mãe.
Beijinho n,oteudoceolhar

3 de setembro de 2011 às 15:36  
Blogger oteudoceolhar disse...

Mariana,

o sol de facto nasce todos os dias ... um dia mais esplenderoso do que outros....daí estes toques de "nostalgia".

Obg bom fds Beijo n´oteudoceolhar.

3 de setembro de 2011 às 16:03  
Blogger oteudoceolhar disse...

Minha Flor,

não tens uma pequena noção do que chorei ao escrever e ao ouvir a música.
Por vezes estes "exorcismos" são necessários. Eu entendo este texto como uma espécie de "exorcismo" á minha pessoa, ao meu Eu interior ... é um facto que a minha mãe (não falamos do filho), é a pessoa mais importante da minha vida, e sem ela não sou nada de nada...mas como ela também eu sou mãe, por isso do nada que me sinto no amanhã só tenho de ser alguém. Porque diz o ditado "filho és...um dia pai serás" (algo assim).

Quanto ao Pai, gosto imenso do carinho com que falas do teu (nada de chorar, com o que estou a escrever) ... também não sei o que significa essa palavra, existe, vive mas hj n me incomoda tanto como já incomodou e lamento a frieza, mas não lhe perdoo nada de nada ...

Não tenho, nunca tive nem faço ideia do que é ter uma sogra, mas se tiveste e tens uma sogra que te "amparou" que te deu o amor que faltou ... abençoada seja, sejam...neste mundo poucos de nós temos a sorte de ter uma mão estendida, se ela surgir nada como agarrar a "oportunidade".

Eu sei que tens muito que me gostavas de dizer...eu sei porque o sinto nas tuas palavras e nos teus comentários ... a porta está aberta se não tens o mail diz que to dou.

Aprendemos tanto nesta vida, e muita das vezes com a vida dos demais ... ter a consciência e vontade de aprender é ser "grande", eu ainda sou "pequenina", mas estou a crescer por isso ... Vivendo e aprendendo com tudo aquilo que nos é dado...pelos espinhos da rosa que é a vida, como pela bela flor que é a rosa em si.

Obrigada minha amiga beijo n´oteudoceolhar.

3 de setembro de 2011 às 16:13  
Blogger PauloSilva disse...

Não seria tão bom para a sua mãe ler um texto tão carinhoso, tão profundo, tão escrito pela maravilhosa filha que tem? Maria que abençoada seja essa mulher que a fez crescer tão forte e tão sentimental! Tão crescida, deveria dizer ela. Tão humana, podemos dizer nós.
Não há que pedir perdão. Mãe sabe sempre filtrar as nossas emoções e sabe que se a magoamos não é com essa intenção!
Maria, um grande beijo por ser a mulher que é e outro para a mãe espectacular que a criou de maneira tão peculiar!

(E agradeço o comentário)

3 de setembro de 2011 às 18:44  
Blogger Flor de Jasmim disse...

Maria querida
Eu vejo sempre os teus recadinhos que adoro ler, pois eles têm me dado imensa força.
Um dia ainda vamos estar juntas, acredita, até lá manda o teu mail para o meu que está no meu perfil.
Beijinho n,oteudoceolhar

3 de setembro de 2011 às 22:18  
Blogger oteudoceolhar disse...

Pensador,

com essa me deixas sem palavras, quem te manda a ti tratá-las por Tu?

Ainda estou em dúvida. O texto tem um significado e um intuito...logo se vê, se a Lena o ler e aviso a todos aqueles que a conhecem como a minha Lena. A minha mãe.

Pensador, sabes lá tu a "peste" que é Maria, e crescida, ai rapaz, isto é pé ante pé, sou "pequenina", eu bem disse que nunca iria crescer, agora é de rajada ... mas deixa eu chego lá e qq coisa vou ver o mar, carregar as baterias e fujo pó Lentejo.

Curioso ... " Maria, um grande beijo por ser a mulher que é e outro para a mãe espectacular que a criou de maneira tão peculiar!"

Foi de facto peculiar, e somos de facto duas mulheres, ainda que me soe de forma "peculiar" que mo digam ...

Hà que pedir perdão sim ... acredita que eu sei.

Pensador, obrigada.

Beijo n´oteudoceolhar.

4 de setembro de 2011 às 00:37  
Blogger oteudoceolhar disse...

Minha flor,

sabes há quanto tempo existe oteudoceolhar?
Deves saber, sabes do que é que eu vivi durante este tempo?
De palavras de apoio de pessoas que nunca vi e nunca irei ver...fiquei amiga de algumas, pessoalmente só uma partilhei visitas e passeios, de resto ficaram todos guardados, em pastas de folhas com comentários e nomes dessas pessoas.
Uma letra leva a uma palavra uma palavra leva a uma frase, e tudo isso leva a uma imensidão de gestos que animam e nos fazem ir vivendo de outra forma, ou pelo menos a tentar o dia a dia.

Porque não? Eu já vou buscar o mail, em breve terás noticias minhas, e quem sabe um dia não nos vamos ver cara a cara, as mulheres não me metem medo.

Venham os lapis da censuras que eu não estou nem aí. Escrevo como quero o que quero e dou todo o meu carinho e atenção àqueles que aqui vêem e tal como eu precisam de ânimo, incentivo e uma palavra. Ou apenas me dão tudo isso a mim. Que não nego preciso como do ar que respiro.

Quem não entende as palavras como nós...não sabe o que isso significa...sabes que mais digam o que disserem, para mim são favas contadas.

Minha amiga beijo n´oteudoceolhar

4 de setembro de 2011 às 00:53  
Blogger Flor de Jasmim disse...

Maria querida
Eu sei minha amiga.
Tal como eu também tu sabes que não vivo para agradar a ninguém, eu sou apenas eu, sou como sou e, as pessoas gostam ou não gostam estou-me nas tintas, agora uma coisa eu jamais farei, viver como elas querem, não, não faço fretes, nem vivo uma vida de mentira. Prefiro estar só do que acompanhada e sentir-me só, quando eu sentir isso terei que alterar a minha vida.
Beijinho no,teudoceolhar

4 de setembro de 2011 às 15:43  
Anonymous krisspy disse...

Sabes bem quem és, embora às vezes não te conheças a ti própria, o que não és e não foste. Mas sabes que "crescer" é respirar, é viver, é sofrer e amar... que o caminho demonstra, mais tarde ou mais cedo, qual o nosso destino. E desse caminho faz parte a nossa Mãe!
Podemos até nem ser o outro. Mas somos aquilo que conseguimos ser e os filhos podem sempre nos enriquecer e ajudar na sabedoria da vida...
A "rosa" pode até ser cravada de "espinhos", mas nós temos sempre a escolha entre a "rosa" e o "girassol"! Hoje é no teu filho que podes encontrar o teu "barco" no meio do "oceano" que é a vida, tal como a tua mãe também ele precisa de ti, do teu amor, da tua paixão. Mãe só temos uma na vida e será sempre até morrer, aconteça o que acontecer pelo caminho, venha quem vier, até que se apague como uma vela de uma casa que também se apaga, como um dia tu e eu também nos apagaremos... há sempre um nascer do sol no dia seguinte, águas que se movem e nos refrescam e quem sabe se no meio delas uma onda que nos mostre a solução, que faça brotar dentro de ti quem realmente tu és!
Como ouvi um dia numa música que adoro "estrelas são as lágrimas dos anjos a chorar, por não terem o corpo e a vida e não saberem o que é Amar"! E tu sabes Amar... meu Sol!

Beijos!

4 de setembro de 2011 às 16:49  
Blogger oteudoceolhar disse...

Luís,

eu para Ti e para a Lena irei responder por palavras, talvez sejam de facto elas a minha defesa...e voçês são a minha sombra.

Fica para depois, agora Tu sabes Tu sabes tudo, como sabes desde hà 22 anos (só).
És o meu melhor amigo, és irmão, "pai", és companheiro de todos os momentos mais importantes da minha vida.
Tu e a Lena fica para o depois.
Que dizer ... que tenham mais um pouco de paciência...só mais um pouco.

Tu que tantas, tantas vezes és também Tu o Sol que entra pela minha casa adentro ... estamos velhos e juntos essa é que é essa...
Venham mais 22 e mais 22 ...

Beijo Krisspy darling ... we are fabulous...Yes?

4 de setembro de 2011 às 23:29  
Blogger Check Point Charlie disse...

Olá Mary

Já tantas e tão belas palavras foram ditas aqui atrás, que vou apenas dizer OBRIGADO ! Pelo amor incondicional que sentes, por seres como e quem és.

Beijo n'oteudoceolhar

Charlie

6 de setembro de 2011 às 12:18  
Blogger Lacorrilha disse...

E eu que já estava a imaginar-te a leres isto à tua mãe e os olhos dela a encherem-se de orgulho, e afinal não lho leste.
Aposto que ela iria adorar. Tanto.

7 de setembro de 2011 às 17:04  

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