! !

quinta-feira, 2 de junho de 2011

... Hasta Siempre Júlio...


A vida é aquilo que é...
Mentalmente já tinha escrito um texto para colocar, mas...(e como em tudo na vida há sempre um mas).
Hoje quando a Lena me ligou, disse "olha meti a gravar o Julio, tava a dar no jornal da tarde"
Nada demais ... Google it e RTP que se faz tarde.

Instala-se em mim um silêncio, e uns olhos "pregados" àquela imagem ..."aquele é o meu Julio?"
Rebobinando...
Sexta
Telefone
- a que horas te vou buscar?
-como é que sabias que te ia ligar.
-ora amanhã não é o concerto?
Amanhã é o concerto, 3 anos depois do último, último que eu dizia ser.
Que eu dizia que nunca mais o iria ver...
Considerei não ir ao último concerto, que segundo parece seria agora...uma coisa é certa nunca devemos dizer nunca.
Considerei não ir, para ir nem eu sei bem onde.
Mas considerei deixar de fazer algo que tanto gosto e por quem tenho tanta admiração...considerei.
Hoje agradeço ás "minhas" mulheres, agradeço a possibilidade de ter ido.
E agradeço a mim por ir ...
Desta vez o lugar não era suposto ser na plateia, não valia a pena.
Dirá quem ler e quem me conhece..."então mas afinal não gosta tanto a plateia é mais perto"
Lá está, há três anos, fotografei a pouco mais de 1 metro, olhei, e fixei cada ruga, cada olhar, cada passo dado com dificuldade ... fixei memorizei tudo, e hoje ainda me recordo de tudo isso.
Desta vez, o importante era assistir ao último concerto.
Não devemos dizer nunca ...
O dia começou, com chuva, correr para deixar a casa em ordem, sair e passear um pouco com o Tom, e depois ir trabalhar até ás 20, e correr para o Pavilhão Atlântico.
O céu em Lisboa parecia querer desabar, em água e trovoada, só me queria escapar daquele tempo e sentar-me á secretária...pensava "tou para ver se o avião não pode aterrar na portela".
Aterrou e eu "aterrei" no pavilhão Atlântico ás 21:40, levar um dia a correr e no fim, só soprava por todos os lados...estava como habitualmente uma "pilha" de nervos.
Ainda o Júlio não sonhava entrar em palco e a loucura cá fora era total ...gente de todas as idades, literalmente assim. Não eram só os "cotas", miúdas de vinte e poucos anos, trintas e por aí afora...
Instala-se a escuridão, e dá-se inicio ao concerto.
Lindo de ver, milhares de pessoas, a cantarem as musicas do José Cid, de cor, toda aquela gente sabia as letras das musicas... depois nova escuridão...
Perguntem-me o que aconteceu.
Não vale a pela de cabecinha erguida e sem vergonha de encarar o último dos meus ídolos do alto dos seus 67 anos, dos 300 milhões de discos vendidos, dos discos de ouro, platina e diamante, o artista que mais vendeu até hoje. Milhares de concertos por 27 países, falando 14 línguas.
Não tenho vergonha alguma...na escuridão, ainda bem antes chorava “copiosamente”, nada como um concerto para limpar a alma...e eis. Júlio entra ... loucura total.
Tudo de pé, tudo a bater palmas, de arrepiar, para quem gosta de espectáculos desta dimensão...eu confesso que adoro, sentir o calor humano, as palmas a emoção entre o artista e o seu público.
Mas eu olho, o meu ídolo... e dói-me a alma.
No trabalho, as "minhas" mulheres perguntavam se o concerto foi bom...
-querem que responda a verdade ou finja?
Fica tudo em stand-bay ...
-não foi um concerto bom, mas foi o concerto.
Rebobinando novamente.
-Meu Portugal querido, de tantos e tantos anos, de tanta tanta vida...
E eu choro ... o Júlio entra e mal consegue andar, encosta-se á coluna, e canta encostado ...doi.
É um misto de emoção, porque começa como uma das músicas que mais gosto "Quijote", e eu vejo-o tão frágil.
Desengane-se quem pensa ser eterno, quem pensa que vive para todo o sempre, pleno de sapiência e juventude, pleno da ilusão do estar só ... vejo tanto enquanto choro e vejo tanto enquanto o olho.
Mas Amei cada minuto, e Amei cada segundo...
Ternura de um "papa" como ele diz, que pela primeira vez leva ao palco dois dos seus três rapazinhos mais novos ... e eu chamei pela Miranda.
Acredito piamente naquele ar de paz, vestidos todos de branco em Punta Cana, acredito piamente naquele amor.
No aeroporto de Jacarta dizia Julio após ver Miranda passar "aquela mulher ainda vai ser minha", e 20 anos já se passaram e estão juntos... "no me importa lo que dicen las gentes..."
Um rei, ainda com trono que é hoje como será amanhã ETERNO...
Não voltará a haver um cantor (ou se quiserem encantador), como este, impossível. As gerações são demasiado "fúteis" e “básicas” para saber cantar (e até viver), o amor daquela forma.
Sentadinha no meu lugar vi tudo, vi que mais uma vez podia ter levado a maquina (levei mas não a minha), via os "canhões" passarem lá em baixo e pensava "caramba devia ter trazido a minha máquina, que raiva". Mas ficou a dormir em casa ... e ficou muito bem, porque hoje depois de ter visto a entrevista nos 30 minutos da RTP, e ficado chocada literalmente...prefiro ficar com a imagem que tinha.
Imagem de 2 concertos no Restelo, imagem de uma ida ao Herman Sic, onde ele me mandou um beijo, de uma ida a Portalegre sob uma noite fantástica de uma Lua cheia, onde ele olhou para mim, piscou o olho lançou-me um beijo e disse "eres guapissima". Imagem de um concerto no pavilhão Alântico grávida de 3 meses, tendo o bilhete há mais de 6 meses, não sonhando na altura que á data do concerto iria acompanhada. E deste concerto, que me satisfez quanto baste para continuar fã incondicional, para continuar a ter momentos em que só a música dele faz sentido ouvir, e pausas em que se vai ouvindo um pouco de tudo.

O Júlio Iglesias será sempre o Júlio Iglesias ....ÚNICO.
Hasta siempre, hombre... porque lá vida sigue igual.
Maria
 Nunca tinha "carregado videos no Youtube, se quiserem estão por lá dois de 2007, e os deste ano ...
Se ouvirem alguém aos gritos e suspiros, era a vizinha do lado (cof!cof!))

Etiquetas:

terça-feira, 12 de abril de 2011

... Memórias de ontem Dilema de "Hoje" ...


"A manhã parecia fazer adivinhar um dia frio, a brisa aconselhava a um casaco. Passava pouco mais da 8 da manhã quando chego á clínica para fazer mais umas análises, a vontade é muito pouco até porque a cama é bem mais apelativa.
Tirei o dia de férias para aproveitar a fazer os exames e mais uma ida ao centro de saúde, resumindo, uma manhã nas “voltinhas” como costuma dizer a Lena.
Chego a casa já passava das 13 horas, para quem tinha de estar em Lisboa ás 16 não me resta muito tempo para descansar. Nada como um telefonema a combinar para mais tarde, afinal a Joana ia estar a fazer uma trabalho de grupo na faculdade, por isso quando lá fosse era só ela dar-me a maquina fotográfica e ir-me embora, pelo menos era o que eu pensava.
O dia está quente, até para dormir a sesta incomoda, mas é daquelas coisas, a minha relação como a minha cama é muito boa, entendemo-nos a 100%.
Chego à universidade de direito á hora combinada, olho á minha volta e parece-me que o trânsito está caótico, a Joana nem sinal dela. Acabo por lhe ligar diz-me que daqui a 15 minutos está lá, os 15 minutos levaram hora e meia a passar, claro que nessa altura já eu deitava fumo por todos os lados. Tenho o concerto ás 22 horas no pavilhão atlântico e são 20 horas ainda estou na cidade universitária.
O primeiro concerto que assisti no Restelo (já no tempo da outra senhora), combinei ir com o Luís, melhor amigo de sempre e alguém em quem a Lena sempre confiou para andar comigo, tive de comprar um bilhete a mais porque o senhor soube que eu ia sozinha com um rapaz e foi uma carga de trabalhos, só não me chamou foi mãe.
Lá teve a Lena de ir connosco, eu adorei que ela fosse, ela também acabou por gostar. Da segunda vez que fui ao Restelo ver o Júlio acabei por ir com a Lena, não fosse o diabo tecê-las...Mas eu fui ver o Júlio.
As minhas aventuras com o Júlio continuaram, por portas e travessas ainda consegui ir ao Herman Sic assistir ao programa, fiquei ao lado do produtor logo na primeira fila, a Lena coitada muito envergonhada, porque eu não consegui simplesmente falar, tal não era a ansiedade, era a primeira vez que eu ia ver o Júlio tão perto, quando ele entra no estúdio parecia um dilúvio, os câmara man não me largavam, eu lá tinha culpa, não conseguia parar de chorar, no intervalo o F ouviu eles a comentarem – nós a tentarmos filmar e aquela parva a limpar as lágrimas. E eu lá me importo com isso, trouxe de recordação o olhar do Júlio e o beijo que me lançou. Anos depois o Júlio volta a Portugal, dilema o concerto é em Portalegre, ainda me passou pela cabeça ir a Portalegre mas como?
Aproxima-se o mês de Julho, e como é hábito o Luís pergunta o que quero de prenda de anos...eu olhei para ele e respondi que não era muito difícil de adivinhar o que queria.
O Luís aparece lá em casa com dois bilhetes para a plateia vip em Portalegre, claro que enchi o Luís de beijos e mais beijos, mesmo sem fazer a mínima ideia de como iríamos para Portalegre.
Tudo se acabou por resolver, o Tó ofereceu-se para nos levar, “pegou” na irmã e em nós e lá fomos. Foi um concerto memorável, apesar de estar na Plateia a fila ainda era um pouco distante do palco, o que valeu é que já sabia qual era a ultima musica e assim que acaba a ultima música “voei” para o palco. Consegui ser das primeiras pessoas do público a chegar junto do palco, o cordão de seguranças começou a avançar...é?
Chamei e voltei a chamar o Júlio, ele voltou-se olhou-me nos olhos, e com aquele sorriso e olhar de arrasa corações, lançou-me um beijo e disse – Guapissima.
Repetiram-se mais um concerto no pavilhão atlântico, confesso que não foi dos que mais gostei, ao que parece o Júlio tinha partido um pé duas horas antes, acho que por isso não lhe correu muito bem, ainda assim finalmente tinha conseguido fotografá-lo, depois das peripécias para conseguir entrar com a máquina, qual não foi o meu espanto, haviam mais maquinas fotográficas no publico do que propriamente maquinas de fotógrafos.
A Joana finalmente chega falta 1 hora para o concerto, estou uma pilha de nervos, ainda me convence a ir jantar com ela e com as colegas, não fui capaz de dizer que não. Entro no pavilhão atlântico sempre com a sensação de que do nada surja á minha frente aquela figura do passado...começo a pensar enquanto olhos para as filas de gente “parva, vais para a 3ª fila vip ainda por cima, não tens de estar na final é entrar e sentar, ele não vai para a vip”. Fosse ou não fosse, era um momento meu, e como diz a Lena coração ao alto.
Ansiedade a mil o coração parecia que me saltava da boca, estava cheio e eu finalmente na 3ª fila, custou muito mas estava lá.
As luzes apagaram-se, assobios palmas, confusão, e eu a mil...luzes, as meninas do coro os músicos, e ele, tal e qual o vinho do porto, igual a si mesmo, fato preto, sapatinho de luva e um sorriso...bem o suficiente para me levantar da cadeira em pranto...bem nem tudo se devia ao Júlio, ele deixa-me ko mas digamos que a ansiedade das últimas horas também não ajudou em nada, mas este era o meu momento...foi espectacular, fez valer cada cêntimo, cada euro que gastei. Valeu porque é bem possível que esta seja a última vez que o veja ou então que possa gastar o que gastei para estar lá...valores mais altos se levantam.
No fim de tudo, no meio de tanta confusão, eu não estava sozinha, e só me lembrava do que a Lena costuma dizer – João não te podes enervar por causa do bebé. E como a João estava (e não era pouco), nervosa, fazia festas á barriga e ia pensando – a mãe está a chorar mas a mãe está feliz...
E estava, estava mesmo feliz....
Ele está velho?
Verdade... está velho, anda com alguma dificuldade, tem o olhar e corpo cansado, mas eu também estou mais velha e é mais do que certo que para nova não vou...e depois Júlio…No importa lo que dicen las gentes".

Texto de Maio 2007 ... Hoje alguém me pode fazer crer que não vale a pena ir ver o Ultimo concerto dado Pelo Julio? O meu Júlio ? Alguém que sempre adorei, digam o que disserem ... velho e afins, balelas que  pouco me importam. Hoje o olhar não tem o encanto de outrora, mas já o olhei bem nos olhos, vi o Peso da idade, mas também acompanho o olhar de outrora.
Gosto e pouco me importa o que digam...GOSTO, ADORO...
Alguém me pode fazer entender, e dar um motivo mais do que válido para não ir ?
Acho que para já a única pessoa ainda foi a minha mãe. Entendo plenamente os motivos que aponta, as contas as malditas contas, entendo que quero material para a maquina, entendo que não posso ter o mundo...mas. Ele diz ser o último. É mais um ciclo que se fecha...mais um. As minhas estrelas, começam apenas a brilhar lá bem no firmamento. Assustador, os ciclos fecham-se...e a vida tem de ir seguindo até um dia ser o meu ciclo.
É estranhamente assustador, pensar assim ... no fim olhar para trás e o que irei ver?
Temo essa fase, sei que não a vou entender...mas faço parte de todo um ciclo e o dia chegará, até lá, nada como tentar viver da melhor forma possível aquilo que chamam vida. Utópica, Ilusória ...
Tanta coisa, com que me preocupar é um facto, mas agora até o "dilema" do "meu" Julio ... irra.

Maria

Etiquetas:

} @media handheld { #wrap { width:90%; } #main-top { width:100%; background:#FFF3DB; } #main-bot { width:100%; background:#FFF3DB; } #main-content { width:100%; background:#FFF3DB; } } #inner-wrap { padding:0 50px; } #blog-header { margin-bottom:0px; } #blog-header h1 { margin:0; padding:0 0 6px 0; font-size:225%; font-weight:normal; color:#612E00; } #blog-header h1 a:link { text-decoration:none; } #blog-header h1 a:visited { text-decoration:none; } #blog-header h1 a:hover { border:0; text-decoration:none; } #blog-header p { margin:0; padding:0; font-style:italic; font-size:94%; line-height:1.5em; } div.clearer { clear:left; line-height:0; height:10px; margin-bottom:12px; _margin-top:-4px; /* IE Windows target */ background:url("") no-repeat bottom left; } @media all { #main { width:560px; float:left; padding:8px 0; margin-left:-40px; } #sidebar { width:240px; float:right; padding:8px 0; margin-left:-50px; } @media handheld { #main { width:100%; float:none; } #sidebar { width:100%; float:none; } } #footer { clear:both; background:url("") no-repeat top left; padding-top:10px; _padding-top:6px; /* IE Windows target */ } #footer p { line-height:1.5em; font-family:Verdana, sans-serif; font-size:75%; } /* Typography :: Main entry ----------------------------------------------- */ h2.date-header { font-weight:normal; text-transform:capitalize; text-align:right; letter-spacing:.1em; font-size:90%; margin:0; padding:0; } .post { text-align:center; margin:8px 0 24px 0; line-height:1.5em; } h3.post-title { font-weight:normal; text-align:center; font-size:140%; color:#da70cd; margin:0; padding:0; } .post-body p { text-align:center; margin:0 0 .6em 0; } .post-footer { font-family:Verdana, sans-serif; color:#da70cd; font-size:74%; border-top:0px solid #BFB186; padding-top:6px; } .post ul { margin:0; padding:0; } .post li { line-height:1.5em; list-style:none; background:url("") no-repeat 0px .3em; vertical-align:top; padding: 0 0 .6em 17px; margin:0; } /* Typography :: Sidebar ----------------------------------------------- */ h2.sidebar-title { font-weight:normal; font-size:120%; margin:0; padding:0; color:#da70cd; } h2.sidebar-title img { margin-bottom:-4px; } #sidebar ul { font-family:Verdana, sans-serif; font-size:86%; margin:6px 0 12px 0; padding:0; } #sidebar ul li { list-style: none; padding-bottom:6px; margin:0; } #sidebar p { text-align:center; font-family:Verdana,sans-serif; font-size:86%; margin:0 0 .6em 0; } /* Comments ----------------------------------------------- */ #comments {} #comments h4 { font-weight:normal; font-size:120%; color:#29303B; margin:0; padding:0; } #comments-block { line-height:1.5em; } .comment-poster { background:url("") no-repeat 2px .35em; margin:.5em 0 0; padding:0 0 0 20px; font-weight:bold; } .comment-body { margin:0; padding:0 0 0 20px; } .comment-body p { font-size:100%; margin:0 0 .2em 0; } .comment-timestamp { font-family:Verdana, sans-serif; color:#29303B; font-size:74%; margin:0 0 10px; padding:0 0 .75em 20px; } .comment-timestamp a:link { color:#473624; text-decoration:underline; } .comment-timestamp a:visited { color:#716E6C; text-decoration:underline; } .comment-timestamp a:hover { color:#956839; text-decoration:underline; } .comment-timestamp a:active { color:#956839; text-decoration:none; } .deleted-comment { font-style:italic; color:gray; } .paging-control-container { float: right; margin: 0px 6px 0px 0px; font-size: 80%; } .unneeded-paging-control { visibility: hidden; } /* Profile ----------------------------------------------- */ #profile-container { margin-top:12px; padding-top:12px; height:auto; background:url("") no-repeat top left; } .profile-datablock { margin:0 0 4px 0; } .profile-data { display:inline; margin:0; padding:0 8px 0 0; text-transform:uppercase; letter-spacing:.1em; font-size:90%; color:#211104; } .profile-img {display:inline;} .profile-img img { float:left; margin:0 8px 0 0; border:1px solid #A2907D; padding:2px; } .profile-textblock { font-family:Verdana, sans-serif;font-size:86%;margin:0;padding:0; } .profile-link { margin-top:5px; font-family:Verdana,sans-serif; font-size:86%; } /* Post photos ----------------------------------------------- */ img.post-photo { border:1px solid #A2907D; padding:4px; } /* Feeds ----------------------------------------------- */ #blogfeeds { } #postfeeds { padding:0 0 12px 20px; }

quinta-feira, 2 de junho de 2011

... Hasta Siempre Júlio...


A vida é aquilo que é...
Mentalmente já tinha escrito um texto para colocar, mas...(e como em tudo na vida há sempre um mas).
Hoje quando a Lena me ligou, disse "olha meti a gravar o Julio, tava a dar no jornal da tarde"
Nada demais ... Google it e RTP que se faz tarde.

Instala-se em mim um silêncio, e uns olhos "pregados" àquela imagem ..."aquele é o meu Julio?"
Rebobinando...
Sexta
Telefone
- a que horas te vou buscar?
-como é que sabias que te ia ligar.
-ora amanhã não é o concerto?
Amanhã é o concerto, 3 anos depois do último, último que eu dizia ser.
Que eu dizia que nunca mais o iria ver...
Considerei não ir ao último concerto, que segundo parece seria agora...uma coisa é certa nunca devemos dizer nunca.
Considerei não ir, para ir nem eu sei bem onde.
Mas considerei deixar de fazer algo que tanto gosto e por quem tenho tanta admiração...considerei.
Hoje agradeço ás "minhas" mulheres, agradeço a possibilidade de ter ido.
E agradeço a mim por ir ...
Desta vez o lugar não era suposto ser na plateia, não valia a pena.
Dirá quem ler e quem me conhece..."então mas afinal não gosta tanto a plateia é mais perto"
Lá está, há três anos, fotografei a pouco mais de 1 metro, olhei, e fixei cada ruga, cada olhar, cada passo dado com dificuldade ... fixei memorizei tudo, e hoje ainda me recordo de tudo isso.
Desta vez, o importante era assistir ao último concerto.
Não devemos dizer nunca ...
O dia começou, com chuva, correr para deixar a casa em ordem, sair e passear um pouco com o Tom, e depois ir trabalhar até ás 20, e correr para o Pavilhão Atlântico.
O céu em Lisboa parecia querer desabar, em água e trovoada, só me queria escapar daquele tempo e sentar-me á secretária...pensava "tou para ver se o avião não pode aterrar na portela".
Aterrou e eu "aterrei" no pavilhão Atlântico ás 21:40, levar um dia a correr e no fim, só soprava por todos os lados...estava como habitualmente uma "pilha" de nervos.
Ainda o Júlio não sonhava entrar em palco e a loucura cá fora era total ...gente de todas as idades, literalmente assim. Não eram só os "cotas", miúdas de vinte e poucos anos, trintas e por aí afora...
Instala-se a escuridão, e dá-se inicio ao concerto.
Lindo de ver, milhares de pessoas, a cantarem as musicas do José Cid, de cor, toda aquela gente sabia as letras das musicas... depois nova escuridão...
Perguntem-me o que aconteceu.
Não vale a pela de cabecinha erguida e sem vergonha de encarar o último dos meus ídolos do alto dos seus 67 anos, dos 300 milhões de discos vendidos, dos discos de ouro, platina e diamante, o artista que mais vendeu até hoje. Milhares de concertos por 27 países, falando 14 línguas.
Não tenho vergonha alguma...na escuridão, ainda bem antes chorava “copiosamente”, nada como um concerto para limpar a alma...e eis. Júlio entra ... loucura total.
Tudo de pé, tudo a bater palmas, de arrepiar, para quem gosta de espectáculos desta dimensão...eu confesso que adoro, sentir o calor humano, as palmas a emoção entre o artista e o seu público.
Mas eu olho, o meu ídolo... e dói-me a alma.
No trabalho, as "minhas" mulheres perguntavam se o concerto foi bom...
-querem que responda a verdade ou finja?
Fica tudo em stand-bay ...
-não foi um concerto bom, mas foi o concerto.
Rebobinando novamente.
-Meu Portugal querido, de tantos e tantos anos, de tanta tanta vida...
E eu choro ... o Júlio entra e mal consegue andar, encosta-se á coluna, e canta encostado ...doi.
É um misto de emoção, porque começa como uma das músicas que mais gosto "Quijote", e eu vejo-o tão frágil.
Desengane-se quem pensa ser eterno, quem pensa que vive para todo o sempre, pleno de sapiência e juventude, pleno da ilusão do estar só ... vejo tanto enquanto choro e vejo tanto enquanto o olho.
Mas Amei cada minuto, e Amei cada segundo...
Ternura de um "papa" como ele diz, que pela primeira vez leva ao palco dois dos seus três rapazinhos mais novos ... e eu chamei pela Miranda.
Acredito piamente naquele ar de paz, vestidos todos de branco em Punta Cana, acredito piamente naquele amor.
No aeroporto de Jacarta dizia Julio após ver Miranda passar "aquela mulher ainda vai ser minha", e 20 anos já se passaram e estão juntos... "no me importa lo que dicen las gentes..."
Um rei, ainda com trono que é hoje como será amanhã ETERNO...
Não voltará a haver um cantor (ou se quiserem encantador), como este, impossível. As gerações são demasiado "fúteis" e “básicas” para saber cantar (e até viver), o amor daquela forma.
Sentadinha no meu lugar vi tudo, vi que mais uma vez podia ter levado a maquina (levei mas não a minha), via os "canhões" passarem lá em baixo e pensava "caramba devia ter trazido a minha máquina, que raiva". Mas ficou a dormir em casa ... e ficou muito bem, porque hoje depois de ter visto a entrevista nos 30 minutos da RTP, e ficado chocada literalmente...prefiro ficar com a imagem que tinha.
Imagem de 2 concertos no Restelo, imagem de uma ida ao Herman Sic, onde ele me mandou um beijo, de uma ida a Portalegre sob uma noite fantástica de uma Lua cheia, onde ele olhou para mim, piscou o olho lançou-me um beijo e disse "eres guapissima". Imagem de um concerto no pavilhão Alântico grávida de 3 meses, tendo o bilhete há mais de 6 meses, não sonhando na altura que á data do concerto iria acompanhada. E deste concerto, que me satisfez quanto baste para continuar fã incondicional, para continuar a ter momentos em que só a música dele faz sentido ouvir, e pausas em que se vai ouvindo um pouco de tudo.

O Júlio Iglesias será sempre o Júlio Iglesias ....ÚNICO.
Hasta siempre, hombre... porque lá vida sigue igual.
Maria
 Nunca tinha "carregado videos no Youtube, se quiserem estão por lá dois de 2007, e os deste ano ...
Se ouvirem alguém aos gritos e suspiros, era a vizinha do lado (cof!cof!))

Etiquetas:

terça-feira, 12 de abril de 2011

... Memórias de ontem Dilema de "Hoje" ...


"A manhã parecia fazer adivinhar um dia frio, a brisa aconselhava a um casaco. Passava pouco mais da 8 da manhã quando chego á clínica para fazer mais umas análises, a vontade é muito pouco até porque a cama é bem mais apelativa.
Tirei o dia de férias para aproveitar a fazer os exames e mais uma ida ao centro de saúde, resumindo, uma manhã nas “voltinhas” como costuma dizer a Lena.
Chego a casa já passava das 13 horas, para quem tinha de estar em Lisboa ás 16 não me resta muito tempo para descansar. Nada como um telefonema a combinar para mais tarde, afinal a Joana ia estar a fazer uma trabalho de grupo na faculdade, por isso quando lá fosse era só ela dar-me a maquina fotográfica e ir-me embora, pelo menos era o que eu pensava.
O dia está quente, até para dormir a sesta incomoda, mas é daquelas coisas, a minha relação como a minha cama é muito boa, entendemo-nos a 100%.
Chego à universidade de direito á hora combinada, olho á minha volta e parece-me que o trânsito está caótico, a Joana nem sinal dela. Acabo por lhe ligar diz-me que daqui a 15 minutos está lá, os 15 minutos levaram hora e meia a passar, claro que nessa altura já eu deitava fumo por todos os lados. Tenho o concerto ás 22 horas no pavilhão atlântico e são 20 horas ainda estou na cidade universitária.
O primeiro concerto que assisti no Restelo (já no tempo da outra senhora), combinei ir com o Luís, melhor amigo de sempre e alguém em quem a Lena sempre confiou para andar comigo, tive de comprar um bilhete a mais porque o senhor soube que eu ia sozinha com um rapaz e foi uma carga de trabalhos, só não me chamou foi mãe.
Lá teve a Lena de ir connosco, eu adorei que ela fosse, ela também acabou por gostar. Da segunda vez que fui ao Restelo ver o Júlio acabei por ir com a Lena, não fosse o diabo tecê-las...Mas eu fui ver o Júlio.
As minhas aventuras com o Júlio continuaram, por portas e travessas ainda consegui ir ao Herman Sic assistir ao programa, fiquei ao lado do produtor logo na primeira fila, a Lena coitada muito envergonhada, porque eu não consegui simplesmente falar, tal não era a ansiedade, era a primeira vez que eu ia ver o Júlio tão perto, quando ele entra no estúdio parecia um dilúvio, os câmara man não me largavam, eu lá tinha culpa, não conseguia parar de chorar, no intervalo o F ouviu eles a comentarem – nós a tentarmos filmar e aquela parva a limpar as lágrimas. E eu lá me importo com isso, trouxe de recordação o olhar do Júlio e o beijo que me lançou. Anos depois o Júlio volta a Portugal, dilema o concerto é em Portalegre, ainda me passou pela cabeça ir a Portalegre mas como?
Aproxima-se o mês de Julho, e como é hábito o Luís pergunta o que quero de prenda de anos...eu olhei para ele e respondi que não era muito difícil de adivinhar o que queria.
O Luís aparece lá em casa com dois bilhetes para a plateia vip em Portalegre, claro que enchi o Luís de beijos e mais beijos, mesmo sem fazer a mínima ideia de como iríamos para Portalegre.
Tudo se acabou por resolver, o Tó ofereceu-se para nos levar, “pegou” na irmã e em nós e lá fomos. Foi um concerto memorável, apesar de estar na Plateia a fila ainda era um pouco distante do palco, o que valeu é que já sabia qual era a ultima musica e assim que acaba a ultima música “voei” para o palco. Consegui ser das primeiras pessoas do público a chegar junto do palco, o cordão de seguranças começou a avançar...é?
Chamei e voltei a chamar o Júlio, ele voltou-se olhou-me nos olhos, e com aquele sorriso e olhar de arrasa corações, lançou-me um beijo e disse – Guapissima.
Repetiram-se mais um concerto no pavilhão atlântico, confesso que não foi dos que mais gostei, ao que parece o Júlio tinha partido um pé duas horas antes, acho que por isso não lhe correu muito bem, ainda assim finalmente tinha conseguido fotografá-lo, depois das peripécias para conseguir entrar com a máquina, qual não foi o meu espanto, haviam mais maquinas fotográficas no publico do que propriamente maquinas de fotógrafos.
A Joana finalmente chega falta 1 hora para o concerto, estou uma pilha de nervos, ainda me convence a ir jantar com ela e com as colegas, não fui capaz de dizer que não. Entro no pavilhão atlântico sempre com a sensação de que do nada surja á minha frente aquela figura do passado...começo a pensar enquanto olhos para as filas de gente “parva, vais para a 3ª fila vip ainda por cima, não tens de estar na final é entrar e sentar, ele não vai para a vip”. Fosse ou não fosse, era um momento meu, e como diz a Lena coração ao alto.
Ansiedade a mil o coração parecia que me saltava da boca, estava cheio e eu finalmente na 3ª fila, custou muito mas estava lá.
As luzes apagaram-se, assobios palmas, confusão, e eu a mil...luzes, as meninas do coro os músicos, e ele, tal e qual o vinho do porto, igual a si mesmo, fato preto, sapatinho de luva e um sorriso...bem o suficiente para me levantar da cadeira em pranto...bem nem tudo se devia ao Júlio, ele deixa-me ko mas digamos que a ansiedade das últimas horas também não ajudou em nada, mas este era o meu momento...foi espectacular, fez valer cada cêntimo, cada euro que gastei. Valeu porque é bem possível que esta seja a última vez que o veja ou então que possa gastar o que gastei para estar lá...valores mais altos se levantam.
No fim de tudo, no meio de tanta confusão, eu não estava sozinha, e só me lembrava do que a Lena costuma dizer – João não te podes enervar por causa do bebé. E como a João estava (e não era pouco), nervosa, fazia festas á barriga e ia pensando – a mãe está a chorar mas a mãe está feliz...
E estava, estava mesmo feliz....
Ele está velho?
Verdade... está velho, anda com alguma dificuldade, tem o olhar e corpo cansado, mas eu também estou mais velha e é mais do que certo que para nova não vou...e depois Júlio…No importa lo que dicen las gentes".

Texto de Maio 2007 ... Hoje alguém me pode fazer crer que não vale a pena ir ver o Ultimo concerto dado Pelo Julio? O meu Júlio ? Alguém que sempre adorei, digam o que disserem ... velho e afins, balelas que  pouco me importam. Hoje o olhar não tem o encanto de outrora, mas já o olhei bem nos olhos, vi o Peso da idade, mas também acompanho o olhar de outrora.
Gosto e pouco me importa o que digam...GOSTO, ADORO...
Alguém me pode fazer entender, e dar um motivo mais do que válido para não ir ?
Acho que para já a única pessoa ainda foi a minha mãe. Entendo plenamente os motivos que aponta, as contas as malditas contas, entendo que quero material para a maquina, entendo que não posso ter o mundo...mas. Ele diz ser o último. É mais um ciclo que se fecha...mais um. As minhas estrelas, começam apenas a brilhar lá bem no firmamento. Assustador, os ciclos fecham-se...e a vida tem de ir seguindo até um dia ser o meu ciclo.
É estranhamente assustador, pensar assim ... no fim olhar para trás e o que irei ver?
Temo essa fase, sei que não a vou entender...mas faço parte de todo um ciclo e o dia chegará, até lá, nada como tentar viver da melhor forma possível aquilo que chamam vida. Utópica, Ilusória ...
Tanta coisa, com que me preocupar é um facto, mas agora até o "dilema" do "meu" Julio ... irra.

Maria

Etiquetas: